Menstruação Sagrada

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Arte Menstrual da artista argentina Juliaro que pinta utilizando seu sangue menstrual

Etimologicamente falando, a palavra “menstruação” significa “mudança de Lua”. E em muitos dialetos, Lua e menstruação são sinônimos ou estão associados. Quando uma mulher toma consciência do próprio ciclo e das energias nele contidas, automaticamente toma consciência da divindade dentro dela mesma, e de sua sincronia com a Lua.

Tô vendo muita gente compartilhando um vídeo de humor que se chama “E se a menstruação fosse uma pessoa?”. Assisti-lo fez-me refletir sobre algo. Até quando nos mulheres estaremos tão desconectadas da nossa Lua? Por que sempre temos que atribuir o nosso sangue sagrado a algo negativo, ruim e, no caso do tal vídeo, como algo extremamente inconveniente? Daí que muitas mulheres vão me responder: “Porque é, ué!”. Mas daí eu rebato: não seria justamente pela associação negativa que damos á nossa menstruação o que a torna de fato algo ruim? É para se pensar!

Até quando vamos tratar nosso sangue que é a pura fonte da vida como algo digno de nojo, desconforto, um verdadeiro tabu? Algo que precisa ser escondido e jamais comentado ante outras pessoas? Enquanto isso, nos comerciais de absorventes o sangue é representado pela cor azul. Eu entendo que existe uma questão cultural/antropológica com relação ao sangue, mas já deu né?!! O sangue é vermelho e sai todos os meses do nosso útero e verte por nossas vaginas, e está tudo bem com isso!

Nossas ancestrais se recolhiam no período menstrual, justamente por ser um momento de reflexão e conexão com a sacralidade que toda mulher leva consigo. Sem dor, sem constrangimento, sem tabu. Com o advento do Patriarcado, nos mulheres (e consequentemente a nossa menstruação), fomos demonizadas e nossa sacralidade arrebatada. De geração em geração, fomos aprendendo o quão negativo são “aqueles dias”. Logo, nos dias atuais, nós mulheres não temos a possibilidade de recolher-nos durante nossa Lua, portanto o corpo se manifesta gerando na maioria de nós muita dor e desconforto. Convido todas as mulheres que sofrem com TPM ou que associa o ciclo menstrual com algo ruim a refletir sobre isso. A ressignificar o seu ciclo. E aprender a amá-lo como parte de seu corpo.

Desde que comecei a me conectar com minha feminilidade de outra forma, a minha menstruação além de muito esperada é também comemorada. Aprendi a vê-la como sagrada e a cada mês me sinto grata por possuir um órgão gerador de vida dentro de mim, o mesmo que serviu de abrigo para o meu filho. O mesmo que faz-me sentir mulher. E em agradecimento, eu devolvo esse sangue pra terra. É um ciclo. A mulher é cíclica. A Lua é cíclica. A vida é cíclica.

Empoderamento feminino tem a ver também com a relação que temos com nós mesmas de forma física, emocional e espiritual.

Que as Deusas abençoem os nossos ciclos.

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