O que você tem contra a solidão?

Parque Zoológico de Boituva/ SP - Dezembro de 2014

Olá seres humanos, humanoides, híbridos e extraterrestres! Tudo bem?

Estou muito contente porque no momento estou Recalculando a minha Rota. Isso mesmo! Como assim? Eu explico! A linda dos olhos de piscina, a Alana Trauczynski autora do livro Recalculando a Rota criou um programa de mesmo nome que, segundo a própria, é “um programa de autoconhecimento e recauchutagem geral de você mesmo!”. Tive a imensa alegria de ganhar uma bolsa pra participar e desde semana passada quando iniciamos a primeira atividade proposta pela Alana, tenho experimentado dificuldades de encontrar meus momentos de solidão para efetuar as propostas de forma mais proveitosa, o que me levou ás seguintes reflexões:

Eu amo a boa companhia de pessoas queridas, mas assim como preciso da companhia delas, eu também preciso de momentos de solidão. Eu amo a solidão. É só nela e com ela que me encontro, que entro no meu eixo, que me estimulo e que tenho tempo e espaço para pensar e refletir. Quando não tenho meus momentos de solidão eu desvio, eu sou água parada, estancada e lodosa. Mas quando eu consigo estabelecer momentos de solidão, meus pensamentos são claros e límpidos como a água corrente de um rio. Eu simplesmente preciso da solidão para viver de forma saudável. Enfatizo: não é opção, é uma questão de necessidade.

“Só quando estou sozinha me sinto totalmente livre. Reencontro-me comigo mesma e isso é agradável e reparador. É certo que, por inércia, quanto menos só se está, mais difícil é ficá-lo. Mesmo assim, em uma sociedade que obriga a ser enormemente dependente do que é externo, os espaços de solidão representam a única possibilidade se fazer contato novamente consigo. É um movimento de contração necessário para recuperar o equilíbrio” Mireia Darder, autora do livro Nascidas para o Prazer (Ed. Rigden, não publicado em português).

Desde muito nova, sempre me perguntei porque as pessoas escapam da solidão como se estivessem escapando do matadouro. Eu entendo que existem fatores sócio-culturais onde o sociabilizar é tão imposto e comemorado que quase não nos sobra tempo pra tão necessária solidão. Mas o equilíbrio é e sempre foi o melhor caminho, portanto, permita-se esses momentos tão importantes com você mesmo. Eu entendo também que todos levamos cargas emocionais que sempre evitamos “visitar”, e que talvez, virão á tona se estamos sozinhos. É doloroso, mas superar é libertador! Mas pra superar você tem que entender, e pra chegar ao entendimento você precisa estar sozinho. Tente, não dói tanto, talvez no começo, mas depois é uma delícia.

Não confunda solidão com estar sozinho. Ser solitário não significa estar aberto para desfrutar da solidão. Muitas pessoas passam o tempo todo cercadas de pessoas ao redor, e quando não as têm, procuram desesperadas por algum tipo de entretenimento para preencherem suas cabeças. Eu não tenho dúvidas de que de forma consciente ou não, essas pessoas só estão tentando escapar delas mesmas. Se elas soubessem que os momentos de introspecção são necessários e podem ser tão prazerosos quanto os momentos de interação com outros indivíduos ou artefatos, não perderiam mais tempo escapando delas mesmas.

A solidão possibilita a criatividade e a reflexão que gera autoconhecimento. O silêncio não é ausência de som, é música!  

Penso que desfrutar da solidão seja algo característico da personalidade de cada indivíduo, apesar de ter certeza que seja absolutamente adaptável á vida de pessoas cuja a solidão não é tão bem vinda, mas que reconhecem nela o caminho pra se auto-visitar.

“Para mim a solidão representa a oportunidade de revisar nosso gerenciamento, de projetar o futuro e avaliar a qualidade dos vínculos que construímos. É um espaço para executar uma auditoria existencial e perguntar o que é essencial para nós, além das exigências do ambiente social” Francesc Torralba, filósofo e autor de A Arte de Ficar Só (Ed. Milenio).

Quando você gosta da sua própria companhia (por mais difícil que ela possa ser algumas vezes) você não dependerá mais da companhia de outras pessoas, se são pessoa queridas, estar com elas será uma OPÇÃO, porém jamais uma NECESSIDADE.

***

Um pouco sobre minha própria experiência:

Sempre fui alvo de pré-conceitos. Passei a minha infância e parte da minha vida adulta sendo rotulada como antipática, metida, e muitos outros adjetivos do gênero. Levei anos até perceber que me sinto verdadeiramente confortável para dizer a essas pessoas que não sou e nunca fui antipática, eu simplesmente não te acho tão interessante para gastar a minha energia contigo. Pode soar arrogante e, talvez seja, mas as pessoas extrovertidas precisam simplesmente parar de exigir que pessoas introvertidas acompanhem a sua necessidade de interagir. Não confundam introversão com timidez, pois são coisas completamente diferentes. Eu sempre fui introvertida e não tímida. Não confundam solidão com isolamento. Sempre gostei demais da solidão, mas nunca me isolei. É claro que nem sempre fui bem resolvida nesse aspecto. Eu me esforçava bastante para me inserir nos grupos e atividades sociais, mas gastava tanta energia que terminava esgotada. É libertador não sentir a necessidade de ter que cumprir com as exigências de interação social desenfreada que minam o meu estoque de energia e fazem com que eu me sinta tudo, menos eu mesma. 

Vou exemplificar: sempre fui ao cinema sozinha porque adoro. Isso não quer dizer que nunca vou ou fui ao cinema com alguém. Se tenho uma boa companhia que valha á pena eu me privar da minha amada solidão, esse ser será muito bem vindo, caso contrário, não abro mão de ir sozinha. O mesmo vale pra sair pra comer, viajar, ou fazer qualquer atividade.

Uma das poucas vezes na vida que frequentei a academia, o instrutor me sugeriu como tom de pena que eu deveria ir no horário que outras meninas frequentavam, assim eu teria companhia pros meus exercícios. Eu achei a dica valiosíssima simplesmente pelo fato de que á partir daquele momento comecei a evitar ao máximo os horários das tais companhias. Sofri com isso inúmeras vezes na escola primária e no ginásio. As aulas me exigiam demasiada interação, e quando eu adoraria passar os intervalos sozinha, ao invés disso eu era cercada de pessoas que tinham fobia só de imaginar que eu poderia estar sozinha por falta de opção, e corriam a fazer-me companhia. Era legal quando eu desejava essa companhia, mas a maioria das vezes eu só queria estar sozinha mesmo. Repito: não é que eu não desfrute de boas companhias, é só o fato de eu me sentir muito bem sozinha, e de opinar que a maior parte das atividades são bastante íntimas e que exigem muita concentração, então porque raios eu gostaria de ter a companhia de outras pessoas pra isso? As companhias são opções e não necessidades! 

Há alguns meses eu assisti a palestra da Susan Cain no TED, e me senti absolutamente identificada. Pra assistir, clique aqui.

**Quem se interessou pela proposta da autora Alana Trauczynski, segura a onda que o próximo post aqui no blog será sobre o Recalculando a Rota.

E você, o que pensa da solidão? Desfruta ou foge dela? Me conta?

Beijocas,

Lilix.

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